O campo paranaense se prepara para mais um ciclo de crescimento. Segundo levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção de grãos no estado deve atingir 44,17 milhões de toneladas no ciclo 2026/27. Isso representa uma alta de 0,18% — cerca de 79,3 mil toneladas a mais — frente aos 44,09 milhões de toneladas registrados na temporada 2025/26.
Milho puxa o crescimento no estado
O principal motor dessa expansão, aliás, é a primeira safra de milho. A área dedicada ao cultivo do cereal deve saltar de 364,5 mil hectares na safra 2025/26 para 426,6 mil hectares em 2026/27 — um aumento de 17%. Essa expansão territorial, por sua vez, será suficiente para compensar a projeção de queda de 7,1% na produtividade média paranaense, que passa de 11.325 kg/ha para 10.516 kg/ha. Com isso, fica assegurada uma colheita de 4,48 milhões de toneladas na primeira etapa do ciclo, alta de 8,7% frente à temporada anterior.
Considerando as três etapas do ciclo do cereal, a produção total de milho no Paraná deve chegar a 21,59 milhões de toneladas — um crescimento de 0,8% sobre 2025/26. Já a segunda safra do estado deve manter estabilidade, com área estimada em 2,92 milhões de hectares e volume previsto de 17,11 milhões de toneladas.
Feijão também puxa a produção para cima
O feijão, por sua vez, também se consolida como um importante vetor de crescimento no campo paranaense. A expectativa é de avanço de 15,2% na produção total, alcançando 594,3 mil toneladas. Na primeira safra, o crescimento projetado é de 8,1% no volume (207,1 mil toneladas), impulsionado por uma expansão de 8,4% na área cultivada. Já na segunda safra, o salto deve ser ainda maior — alta de 19,3%, totalizando 386,9 mil toneladas.
Soja segue estável; arroz e algodão têm cenários distintos
Na cultura da soja, principal produto agrícola do Paraná, as estimativas indicam estabilidade. A área de cultivo terá um incremento discreto de 0,2%, totalizando 5,82 milhões de hectares. Com rendimento médio projetado em 3.749 kg/ha — recuo de 0,7% —, a produção deve fechar em 21,84 milhões de toneladas, em níveis muito próximos aos verificados em 2025/26.
Em sentido oposto, a cultura do arroz no estado deve acompanhar um ritmo de retração: redução de 3,1% na área e queda de 5,9% no volume colhido, totalizando 144,7 mil toneladas. Já o algodão, por outro lado, apresenta um quadro de neutralidade total em relação ao ciclo anterior, mantendo a estimativa de 1,6 mil hectares plantados e produção de 5,3 mil toneladas em caroço.
Os dados, vale destacar, fazem parte do estudo “Perspectivas para a Agropecuária na Safra 2026/27”, divulgado pela Conab.
Panorama nacional
O desempenho projetado para o Paraná, por fim, acompanha a tendência do agronegócio brasileiro como um todo — onde a primeira safra de milho também surge como a grande impulsionadora da expansão nacional. No Brasil, o ciclo inicial do cereal deve cobrir 4,54 milhões de hectares, com produção estimada em 32,1 milhões de toneladas. Somando todas as safras, a produção brasileira de milho tem potencial para alcançar 148 milhões de toneladas na temporada 2026/27 — resultado estimulado pela demanda aquecida tanto no mercado interno (ração e etanol) quanto no externo.
A soja, em âmbito nacional, projeta avanço moderado de 1,4% em área, atingindo 49,3 milhões de hectares, com expectativa de colheita total de 181,64 milhões de toneladas. Já a produção nacional de feijão deve registrar estabilidade, em torno de 2,9 milhões de toneladas — limitada, principalmente, por riscos climáticos identificados em outras regiões do país.
Somando todas as culturas, portanto, a produção brasileira de grãos na safra 2026/27 pode chegar a 366,6 milhões de toneladas.



