El Niño pode intensificar tempestades em Ponta Grossa; especialista do Simepar explica o que esperar

O El Niño em Ponta Grossa pode favorecer períodos de chuva mais frequente e tempestades nos próximos meses. Em entrevista ao BnT News, Júlia Munhoz, meteorologista especialista em tempestades do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), explicou que o fenômeno altera a circulação atmosférica e, assim, contribui para transportar calor e umidade da Amazônia em direção ao Sul do Brasil. Segundo ela, a tendência é de aumento dos acumulados de chuva no Paraná — embora os efeitos, vale destacar, possam variar bastante entre as regiões do estado.

A entrevistada, porém, faz questão de reforçar um ponto importante: o El Niño não é a única causa das chuvas fortes. Isso porque a passagem de frentes frias e a formação de tempestades localizadas também fazem parte da dinâmica climática — especialmente durante a primavera, estação de transição entre o inverno e o verão.

O que é o El Niño e como ele influencia o clima?

O El Niño, basicamente, é caracterizado pelo aquecimento acima da média das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. De acordo com Júlia, essa mudança na temperatura do oceano interfere diretamente na circulação da atmosfera e, consequentemente, pode alterar a distribuição das chuvas em diferentes regiões.

No Brasil, um dos efeitos explicados pela entrevistada é o fortalecimento do transporte de calor e umidade da Amazônia para o Sul, por meio de um fluxo de ar conhecido como jato de baixos níveis. Assim, com mais umidade disponível na atmosfera, aumentam as condições favoráveis à formação de tempestades e à ocorrência de períodos chuvosos no Paraná.

Ponta Grossa e Campos Gerais podem ter chuva acima da média

Júlia explicou, ainda, que a influência do El Niño não se limita a uma única cidade. Por afetar a circulação atmosférica em grande escala, o fenômeno pode modificar o padrão de chuvas em todo o Paraná.

Segundo a entrevistada, a faixa oeste do estado apresenta tendência de acumulados mais elevados em relação à média. Ponta Grossa e os Campos Gerais, por sua vez, também podem registrar aumento das chuvas — mas não necessariamente na mesma intensidade observada em outras regiões.

Ela acrescentou, ainda, que a atuação do fenômeno pode favorecer tanto episódios de tempestade quanto sequências de dias com chuva persistente.

A especialista ressaltou, no entanto, que a previsão para uma região específica precisa ser acompanhada continuamente. Isso porque as condições da atmosfera mudam, e os prognósticos podem ser atualizados conforme a data de um possível evento se aproxima.

O que esperar para os próximos meses?

Durante a entrevista, Júlia afirmou que os prognósticos analisados por ela indicavam intensificação do aquecimento das águas do Pacífico ao longo da primavera e do verão. Nesse cenário, a tendência apontada era de maior frequência de chuvas e tempestades no Sul do Brasil.

Isso não significa, porém, que haverá temporal todos os dias em Ponta Grossa. Afinal, a ocorrência, a intensidade e a localização de cada chuva também dependem das condições meteorológicas de curto prazo. Por esse motivo, a orientação é acompanhar as atualizações da previsão do tempo, em vez de considerar uma projeção para vários meses como garantia de chuva forte em uma data específica.

Como se proteger durante chuvas fortes e tempestades?

Júlia orientou os moradores a consultar regularmente as previsões meteorológicas e acompanhar os alertas emitidos pela Defesa Civil. Segundo ela, as previsões tendem a oferecer informações mais precisas sobre um evento à medida que a data se aproxima.

Durante tempestades, a recomendação apresentada na entrevista é procurar abrigo em um local seguro e permanecer afastado de portas e janelas. Dentro de casa, por sua vez, a orientação é buscar um ambiente mais protegido, longe das áreas externas do imóvel.

Por fim, a entrevistada também chamou atenção para a circulação de informações falsas sobre o clima nas redes sociais. Por isso, para acompanhar possíveis mudanças na previsão e receber orientações de segurança, ela recomenda consultar sempre os canais oficiais dos órgãos de meteorologia e da Defesa Civil.

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