O mercado de apostas esportivas no Brasil continua em expansão, mas nem todas as empresas do setor estão conseguindo acompanhar o ritmo. A Alfa Bet, uma casa de apostas de menor porte sediada em São Paulo, enfrenta uma grave crise financeira e acumula um passivo que pode ultrapassar R$ 100 milhões.
A situação se tornou pública após a empresa deixar de cumprir contratos de patrocínio firmados com clubes de futebol. Somente as cobranças judiciais relacionadas a esses acordos já somam cerca de R$ 90 milhões.
Patrocínios não pagos
Entre os clubes afetados estão Grêmio e Internacional, que acionaram a Justiça após o descumprimento dos contratos de patrocínio master.
O fundador da empresa confirmou que a operação está no vermelho e revelou que busca um comprador para assumir as dívidas e evitar a falência.
Atualmente, a Alfa Bet possui aproximadamente 0,1% de participação no mercado nacional de apostas.
Regulamentação aumentou os custos
Em processos judiciais, a empresa afirma que a nova regulamentação das apostas esportivas no Brasil contribuiu para agravar a situação financeira.
As regras exigem que as operadoras obtenham uma licença de R$ 30 milhões para atuar legalmente no país. Além disso, as empresas precisam arcar com uma tributação de 12% sobre a receita líquida.
Segundo estimativas do próprio setor, casas de apostas com faturamento inferior a R$ 5 milhões por mês enfrentam dificuldades para manter a operação.
A Alfa Bet registrava uma receita mensal próxima de R$ 3,5 milhões.
Mercado cada vez mais concentrado
O setor de apostas online no Brasil está cada vez mais concentrado nas mãos de poucas empresas.
Atualmente, apenas dez operadoras controlam mais de 67% do mercado nacional. Diante desse cenário, marcas menores têm buscado fusões, aquisições e parcerias estratégicas para sobreviver.
Especialistas apontam que a tendência é de consolidação, com menos empresas disputando espaço nos próximos anos.
O que acontece com o dinheiro dos apostadores?
Diferentemente do sistema bancário, as casas de apostas não contam com um mecanismo semelhante ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Por outro lado, a regulamentação brasileira exige que as empresas licenciadas mantenham os recursos dos usuários separados do patrimônio da companhia.
Além disso, as operadoras precisam manter um depósito de garantia de R$ 5 milhões como forma de proteção adicional aos apostadores.
A crise da Alfa Bet levanta questionamentos sobre a sustentabilidade das empresas menores em um mercado cada vez mais regulado, competitivo e dominado por grandes grupos.


