Novos critérios para a doação de sangue entraram em vigor em outubro e podem permitir que mais pessoas sejam consideradas aptas. Entenda o que mudou e por que a triagem continua sendo fundamental.
Você já deixou de doar sangue porque fez uma tatuagem, passou por algum procedimento, está acima dos 70 anos ou porque acreditava que seu peso não permitia a doação?
Então talvez seja hora de rever algumas dessas informações.
Novos critérios para a doação de sangue começaram a valer em outubro de 2026 em todo o país. As mudanças atualizam as regras de seleção dos doadores e levam em consideração os avanços dos exames laboratoriais e dos protocolos de segurança.
Mas atenção: isso não significa que todos os impedimentos deixaram de existir ou que qualquer pessoa esteja automaticamente apta a doar.
A avaliação individual continua sendo indispensável.
Afinal, o que mudou?
Doadores com mais de 70 anos podem continuar doando
Pelas novas regras, quem já é doador regular e tem mais de 70 anos pode continuar contribuindo, desde que seja considerado apto após avaliação pelo serviço de hemoterapia.
O limite para a primeira doação continua sendo de 60 anos, 11 meses e 29 dias. Portanto, a mudança beneficia principalmente pessoas que já possuem histórico de doação.
E quem pesa menos de 50 kg?
Esse é outro ponto importante das novas regras.
O peso de 50 kg continua sendo o critério geral para a doação. Porém, a nova regulamentação permite que pessoas com peso inferior a 50 kg sejam avaliadas individualmente pelo médico do serviço de hemoterapia.
Em alguns casos, a doação poderá ser realizada com o volume de sangue coletado ajustado ao peso corporal.
Ou seja: se você pesa menos de 50 kg, não precisa simplesmente concluir que não pode doar. Procure o serviço de hemoterapia e passe pela avaliação.
A decisão será tomada pela equipe responsável, considerando a segurança do doador.
E quem fez tatuagem ou maquiagem definitiva?
As novas regras também atualizaram os critérios relacionados a tatuagens, maquiagem definitiva e determinados procedimentos.
O candidato deve informar corretamente quando e onde o procedimento foi realizado e em quais condições.
O período de espera pode variar de acordo com as circunstâncias do procedimento e com a possibilidade de garantir a segurança necessária para a doação.
Por isso, não é recomendável simplesmente assumir que “quem fez tatuagem não pode doar”.
Informe a equipe durante a triagem e deixe que os profissionais avaliem o seu caso.
A tecnologia também mudou
As alterações nos critérios estão relacionadas também ao aprimoramento da segurança do sangue coletado.
Entre as mudanças está o fortalecimento da testagem por métodos de detecção de ácidos nucleicos, o NAT, que permite identificar agentes infecciosos no sangue.
A nova regulamentação estabelece testes capazes de detectar, entre outros agentes, HIV, hepatites B e C e Plasmodium, causador da malária.
Na prática, os serviços de hemoterapia contam com ferramentas laboratoriais cada vez mais importantes para reduzir riscos relacionados às transfusões.
Então ficou mais fácil doar sangue?
Em alguns casos, determinados critérios foram flexibilizados ou atualizados.
Isso pode fazer com que pessoas que antes precisavam esperar determinados períodos ou acreditavam que não poderiam mais doar sejam novamente consideradas para a doação.
Mas existe uma regra que continua fundamental:
a pessoa não deve decidir sozinha se está apta a doar.
Antes da coleta, o candidato passa por uma entrevista e uma triagem clínica. São avaliados aspectos como estado geral de saúde, peso, pressão, hemoglobina, histórico de doenças, medicamentos utilizados, cirurgias, procedimentos recentes, viagens e outras situações que possam interferir na segurança da doação.
Um detalhe importante sobre o peso
A possibilidade de avaliação de pessoas abaixo de 50 kg não significa que a regra dos 50 kg tenha deixado de existir.
Ela continua sendo a referência geral.
A novidade é que, em situações específicas, o médico do serviço de hemoterapia pode avaliar o candidato e determinar se a doação é segura, inclusive considerando um volume de coleta adequado ao peso.
Por isso, não presuma que você não pode doar. Faça a triagem.
“Eu achava que não podia…”
Talvez essa seja uma das principais mensagens das novas regras.
Se você deixou de doar sangue no passado porque acreditava que determinada situação o impedia, vale a pena procurar novamente o serviço de hemoterapia e perguntar sobre os critérios atuais.
Isso vale para quem tem mais de 70 anos e já era doador regular, para pessoas com peso inferior a 50 kg e para quem passou por determinados procedimentos.
Não é necessário chegar ao banco de sangue acreditando que será necessariamente aprovado.
Basta estar disposto a passar pela avaliação.
E, se naquele momento você não puder doar, isso também não significa necessariamente que nunca poderá.
📍 E para quem está em Ponta Grossa?
A população de Ponta Grossa conta com o Hemepar para realizar a doação de sangue.
O candidato passa pelo cadastro, pela triagem clínica e pela avaliação da equipe. Se estiver apto, segue para a coleta.
É importante chegar descansado, alimentado e hidratado, seguindo as orientações do serviço.
Sangue não se fabrica. Doação depende de pessoas.
Todos os dias, pacientes precisam de transfusões por diferentes motivos: cirurgias, acidentes, tratamentos contra o câncer, doenças hematológicas, complicações obstétricas e muitas outras situações.
Por isso, manter os estoques de sangue depende diretamente da participação voluntária da população.
Se você já é doador, continue.
Se deixou de doar porque acreditava que não poderia, verifique os critérios atuais.
E se nunca doou, talvez este seja um bom momento para começar.
Antes de pensar “eu não posso doar”, pergunte:
“Será que as regras mudaram para mim?”
A resposta pode ser diferente daquela que você recebeu alguns anos atrás.
Doar sangue é um gesto simples para quem doa, mas pode representar uma oportunidade de vida para quem espera por uma transfusão.



