Patrulha Maria da Penha da GCM é destaque por modelo de relatórios e acompanhamento de medidas protetivas; atualmente, 779 mulheres são monitoradas na cidade
A atuação da Guarda Civil Municipal (GCM) de Ponta Grossa no enfrentamento à violência contra a mulher acaba de ganhar reconhecimento estadual. Um estudo realizado pelo Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR) em 12 cidades paranaenses apontou o modelo de trabalho da Patrulha Maria da Penha como uma das boas práticas do Estado.
O destaque ficou por conta da Ficha Padronizada de Registro de Visitas e do sistema de relatórios de atendimento utilizados pela corporação. De acordo com o Tribunal, a sistematização desses dados é um “instrumento relevante para o planejamento e aprimoramento das políticas públicas de enfrentamento à violência contra a mulher”.
Monitoramento constante e humanizado
Segundo a prefeita Elizabeth Schmidt, o reconhecimento é reflexo de uma gestão focada em integrar segurança, tecnologia e acolhimento.
“É um grande orgulho termos a nossa Guarda Municipal tendo seu trabalho reconhecido em âmbito estadual. A atuação da Patrulha Maria da Penha é essencial, pois promove um suporte constante, humanizado e direcionado às mulheres. Isso se soma a outras políticas que nossa gestão tem desenvolvido, como o Plano Municipal de Políticas para as Mulheres e a plataforma ElaProtegida”, destacou a prefeita.
Atualmente, a Patrulha Maria da Penha realiza o acompanhamento de 779 mulheres com Medidas Protetivas de Urgência (MPU) em Ponta Grossa. As visitas são realizadas mensalmente, seja de forma presencial, por WhatsApp ou telefone.
Como funciona a “boa prática” reconhecida
O relatório do TCE-PR detalha que Ponta Grossa se diferenciou ao criar uma Ficha Padronizada de Registro de Visitas. Com ela, a Guarda Municipal consegue mapear:
- O perfil das mulheres atendidas;
- O formato do acompanhamento (presencial, telefone ou aplicativo);
- Os índices de descumprimento das medidas protetivas;
- A reincidência de casos no território.
Para o secretário de Cidadania e Segurança Pública, Guilherme Rangel, a integração entre as equipes e a comunidade é o pilar desse resultado.
“Nosso principal objetivo é que Ponta Grossa se torne referência em integração, tecnologia e estrutura dedicada à segurança pública. Seguiremos investindo para que toda mulher que busque auxílio seja devidamente atendida, acolhida pelos nossos agentes e os responsáveis sejam penalizados”, afirmou Rangel.
Pioneirismo e qualificação
O inspetor comandante da GCM, Alessandro de Macedo, lembrou que a Patrulha Maria da Penha foi pioneira no acompanhamento de vítimas com medidas protetivas na cidade. Segundo ele, as boas práticas do grupamento acabaram se espalhando por toda a instituição.
“Essa atuação tem refletido na instituição como um todo, permitindo que as boas práticas no atendimento às vítimas de violência doméstica sejam aplicadas em toda e qualquer situação atendida pela nossa Guarda. Além disso, contribui diretamente no combate ao descumprimento de medidas, auxiliando as mulheres na reconquista da sua autonomia”, explicou o comandante.
Sobre o estudo do TCE-PR
O levantamento do Tribunal de Contas analisou políticas públicas de enfrentamento à violência contra a mulher em municípios de diferentes portes do Paraná. O objetivo foi identificar boas práticas que possam ser replicadas em outras cidades.
A conclusão do órgão é que a coleta periódica de dados — como a feita pela Guarda Municipal de Ponta Grossa — qualifica a gestão municipal, subsidia o monitoramento das medidas protetivas e amplia o diagnóstico da violência no território.


